
'Os Cegos' foi o espetáculo que escolhemos para encerrarmos a maratona teatral.
O espetáculo canadense (Cie UBU Theatre) ‘Os Cegos – Fantasmagorias Tecnológicas’ surpreende pela tecnologia. Com um público muito reduzido e restrito, de talvez no máximo 100 pessoas, em um palco menor, improvisado no Teatro Municipal de São José do Rio Preto, ‘Os Cegos’ nos deixou, no mínimo, intrigados.
A gente entrou para se sentar no escuro, quase sem enxergar nada. No palco, somente cabeças iluminadas, parecendo estarem flutuando no nada. 12 cabeças imóveis, parecendo de cera, esperando o início do espetáculo.
Lá nos ‘bastidores’, antes de entrarmos, ficamos sabendo que a peça seria em espanhol. A equipe ofereceu as opções em espanhol, francês e inglês. Como o português é o mais próximo ao espanhol, optaram pelo espanhol.
O texto é falado o tempo todo pelas cabeças na escuridão. Era sobre um grupo de cegos perdidos na floresta. O mais interessante nem foi o texto. Foi o mistério de como as cabeças falantes estavam ali no palco.
Eram apenas 2 rostos que se repetiam em 6 ângulos diferentes cada, dando a impressão de que tinham 12 ‘rostos falantes’ no palco, iluminados de forma misteriosa. Muita gente nem percebeu que todos os rostos se repetiam, pareciam ser de pessoas diferentes.
O que deu para perceber durante o espetáculo foi que as bocas tinham uma pequena falha de sincronismo com a fala (som), o que deu a dica de que os atores não seriam reais. Mas não o suficiente para termos certeza, de tamanha perfeição.
Para quem não viu parece até um papo de gente maluca, mas quem estava lá ficou após o espetáculo, na escuridão, tentando descobrir como as cabeças funcionavam. Ouvimos comentários sobre holografia, vídeos, bonecos e projeções.
Fico imaginando como será o teatro do futuro. Será que um dia o palco será tão perfeitamente reproduzido que dispensará a presença de atores reais? Não falo de cinema, digo teatro mesmo, com toda a impressão e sensação do teatro.
O FIT (Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto) terminou assim, em uma atmosfera quase surreal. Vi hoje no jornal Diário da Região dizendo que o FIT conseguiu cumprir com sucesso o objetivo do tema sobre a singularidade. O FIT foi ruim, com algumas coisas boas.















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